terça-feira, 19 de dezembro de 2006

Fragmentos II

O sol do verão despontava no céu daqueles dias em que a noite costuma atrasar sua chegada – o caos do amor; Talvez ela, à noite, tenha ficado apaixonada por alguma estrela qualquer, demorou-se no banho por imaginar, enquanto a água caía, seu grande amado – e assim, esse breve intervalo em que o sol se vai e a noite se atrasa, alguns, inclusive eu, o chamam de “tarde romântica”.

Tomava seu chop, como quem não quer nada, e realmente não queria. Em três goles a música mudou, tocou uma baladinha pop. Ela não gostou muito, deu a entender quando colocou seu fone de ouvido e ficou a mexer no aparelhinho minúsculo de MP3.

“Uma breja e um cardápio” – Ele obedeceu, serviu o copo e deixou a garrafa. Foi o que pedi. Olhei o cardápio cuidadosamente, mas não escolhi. Dei um bico na cerveja. Não sei o que motiva alguém se levantar da mesa e ir até a mesa de outra pessoa, interrompe-la naquilo que estiver fazendo e perguntar seu nome. Foi o que eu fiz. Fiquei pensando nisso depois, mas o que está feito, está feito.

“Com licença!” – Eu disse meio ressabiado e apoiando levemente minhas mãos sobre a mesa.

Ela desconcertada me olhou. Concertou, levou as mãos sobre os fones de ouvido e os retirou. Eu disse mais algumas breves palavras e ela atendeu meu pedido. Sentei. Ela desligou o som. Eu não sabia muito que dizer, mas disse. Ela sorriu e eu me senti aprovado.

“Jaqueline” foi o que ela respondeu quando perguntei seu nome. Era uma garota bela, estava estudando para ser atriz. E era. Fala empostada, corpo ereto e movimentos pensados. Olhar fulminante, e me fulminava. Eu não tinha defesas, e apenas sorria.

“O que me chamou atenção em você e me fez vir até aqui foi o fato de...” – Não tive coragem de continuar, tinha caído na real. Estava conversando com uma garota que não conhecia, depois de tê-la abordado de maneira estranha. Muitas pessoas fazem isso, eu não.

“O fato de...” – Curiosa.

O riso nervoso me saiu. Eu sentia que precisava terminar o que comecei. É difícil nessas horas. Por um instante pensei quanto tempo demoraria para viajar daqui até as Ilhas Caimãs, quando voltei, ela ainda esta lá, com seu olhar fulminante.

“O fato dos fones no ouvido. Achei adorável o jeito como colocou os fones no ouvido. Foi isso. Foi o que me fez vir até aqui”.

Ela sorriu, na verdade, gargalhou. Segurou minha mão que estava sobre a mesa, depois das gargalhadas, que logo virou uma risada doce e suave, ela apertou e soltou.

“Você é o cara mais engraçado que eu conheci”

A história continuou. E eu fiquei pensando nessas tardes românticas. Naquilo que a gente não controla. Instintivo. Podemos num instante puxar o gatilho, ou apenas fazer um elogio – ambos fazem toda a diferença.

Um comentário:

Anônimo disse...

Olá, Luiz Fernando.

Tudo bem?

Sempre passo por aqui, mas nunca comento nada... hehehe. Acho que fico com vergonha!

Bom, passo por aqui para te contar uma coisa: sonhei contigo essa noite... hehehehe. Loucura, né?!

Não se preocupe - o sonho não era nada de mais, estávamos apenas conversando na festa do casamento do Alê. Mas acho que isso foi um sinal de que já estou com saudades dos meus antigos colegas de FASP. :D

Bem, passei aqui para lhe desejar um Feliz Natal e um próspero ano novo... Espero que 2007 seja um ano muito bom e feliz para você!

Espero manter contato, ok? Vamos ver se, em 2007, conseguimos ver uma peça bem legal... Hehehehe

Mande um beijo para sua mãe e para a sua irmã - elas são muito legais :)

Beijos
Izabelle Prado