- Que horas são?
- Seis.
- Porra, ficou claro já!
- Vambora?
- Como eu faço? Não conheço nada.
- Me segue.
E foi o que fiz. Segui. Gol geração III de cor cinza. Eu, dirigindo como todos os que estão num estado de meditação profunda – profunda embriaguez – dirigem. Pensando na vida, na cama, lembrando das piadas idiotas, pensando... Pensando... Pensando em pensar - e seguindo o carro da frente. Ele, o carro, ainda estava lá, seguindo.
Sinal vermelho, o cinza, passou. Passei. Sinal vermelho, o cinza, passou. Passei. O caminho ainda estranho. Segui. Senti que eu estava andando mais rápido do que podia, pra um bêbado – e segundo as leis do trânsito também – mas tinha que seguir, perdido e embriagado, melhor seguir.
Tudo começou ficar estranho, me senti num filme, daqueles de perseguição, mas era meu amigo, ele devia estar apressado sei lá, com fome, a gente sempre fica com fome. E vai lá ele fazendo um monte de curvas estranhas, dando volta nos mesmos quarteirões que já passamos, pensei “bom, ele deve ta querendo me mostrar alguma coisa”, só fiz a minha parte, e fiz bem. Até que ele parou. Ele? Não? Ele? Não?
Por instantes a sobriedade impera, porque pálido, o carro estaciona e de lá eu que esperava ver meu amigo comprar ou perguntar alguma coisa numa banca de jornal, vejo sair um garota, branca e levemente apavorada.
“Acho que agora já sei o caminho“, foi o que pensei e fui.
Nenhum comentário:
Postar um comentário