Aparelhei o barco da ilusão
E reforcei a fé de marinheiro.
Era longe o meu sonho, e traiçoeiro
O mar...
(Só nos é concedida
Esta vida
Que temos;
E é nela que é preciso
Procurar
O velho paraíso
Que perdemos).
Prestes, larguei a vela
E disse adeus ao cais, à paz tolhida.
Desmedida,
A revolta imensidão
Transforma dia a dia a embarcação
Numa errante e alada sepultura...
Mas corto as ondas sem desanimar.
Em qualquer aventura
O que importa é partir, não é chegar.
[Maiakovski]
Vendo ou Alugo Ninguém comprou a minha alma Só porque eu quis vender a preço de banana Descascada Agora ofereço nos viadutos, nos prostíbulos Nos botecos Vendo ou Alugo (nos blogs também)
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
sábado, 26 de janeiro de 2008
The killers.
De Tati Bernardi (http://blonicas.zip.net/)
Sempre que uma situação começa a ficar boa ou simplesmente começa, solto minhas frasezinhas bombas. Não sei se com isso quero realmente foder a minha vida ou me proteger de me foder. Acho que segundos antes de explodir tudo, penso assim: se eu falar a frase mais errada do mundo, só os realmente fortes sobreviverão. O que eu não percebo é que no começo de alguma coisa, ninguém ainda é realmente forte para agüentar minhas frasezinhas bombas.
(...) Dentre as minhas frasezinhas bombas tenho três prediletas “to morrendo de saudades de você”, “a vida sem amor é uma merda” e “você me dá pouca atenção”. (...)
É o jeito que arrumei de me rebelar contra essa hipocrisia masculina. Eles podem dormir na casa da gente, enfiar o pauzinho no meio das pernas da gente, pedir uma torradinha com requeijão de manhã, mijar pra fora do nosso vaso, contar a vida deles e pedir mais carinho nas costas. Mas não suportam ouvir no dia seguinte um simples “gosto de você”. Covardes de merda. Odeio essa hipocrisia masculina. Se eles falam mil vezes que querem te ver é tesão e você não pode se assustar, mas se você falar uma única vez que quer vê-los, é porque você é uma mala que está “misturando sentimentos”. E eles podem se assustar. Que preguiça desse planetinha dos macacos e suas bananas.
E sigo com minhas frases matadoras. “Pensei em você hoje”; “Voltei antes pra te ver”; “Vamos nos ver hoje?”; “Vamos comigo na festa da minha amiga?”; “O que você vai fazer no feriado?”
(...) Sempre lembro de uma vez que fui passar cinco dias com um namorado no alto de uma montanha e ele me apareceu com um verdadeiro “kit putaria”. Passou antes no sex shop e comprou de óleo de massagem a roupinha de enfermeira. Tenho certeza que fez isso porque pensou “que porra vou fazer com uma mulher cinco dias em cima de uma montanha a não se trepar”? Se fosse algum dos seus amiguinhos eles poderiam rir, se divertir, beber, conversar, apostar corrida, jogar videogame, brincar na piscina, fazer trilha. Mas com uma mulher? Um ser estranho chamado mulher? Que porra ele iria fazer, não é mesmo?
(...) Acho de verdade que a puta da Glenn Close estragou a vida de algumas mulheres. Basta você dizer um inocente “você é legal” pro cara achar que você vai se mudar pra casa dele, mergulhar o poodle dele numa panela fervendo e parir trigêmeos bem no dia do futebol com os amigos. Da onde eles tiram que somos tão assustadoras? A gente só quer ter com quem rir no final do dia e ganhar alguns beijos no lugar certo. Nada muito diferente do que eles querem. (...)
Sempre que uma situação começa a ficar boa ou simplesmente começa, solto minhas frasezinhas bombas. Não sei se com isso quero realmente foder a minha vida ou me proteger de me foder. Acho que segundos antes de explodir tudo, penso assim: se eu falar a frase mais errada do mundo, só os realmente fortes sobreviverão. O que eu não percebo é que no começo de alguma coisa, ninguém ainda é realmente forte para agüentar minhas frasezinhas bombas.
(...) Dentre as minhas frasezinhas bombas tenho três prediletas “to morrendo de saudades de você”, “a vida sem amor é uma merda” e “você me dá pouca atenção”. (...)
É o jeito que arrumei de me rebelar contra essa hipocrisia masculina. Eles podem dormir na casa da gente, enfiar o pauzinho no meio das pernas da gente, pedir uma torradinha com requeijão de manhã, mijar pra fora do nosso vaso, contar a vida deles e pedir mais carinho nas costas. Mas não suportam ouvir no dia seguinte um simples “gosto de você”. Covardes de merda. Odeio essa hipocrisia masculina. Se eles falam mil vezes que querem te ver é tesão e você não pode se assustar, mas se você falar uma única vez que quer vê-los, é porque você é uma mala que está “misturando sentimentos”. E eles podem se assustar. Que preguiça desse planetinha dos macacos e suas bananas.
E sigo com minhas frases matadoras. “Pensei em você hoje”; “Voltei antes pra te ver”; “Vamos nos ver hoje?”; “Vamos comigo na festa da minha amiga?”; “O que você vai fazer no feriado?”
(...) Sempre lembro de uma vez que fui passar cinco dias com um namorado no alto de uma montanha e ele me apareceu com um verdadeiro “kit putaria”. Passou antes no sex shop e comprou de óleo de massagem a roupinha de enfermeira. Tenho certeza que fez isso porque pensou “que porra vou fazer com uma mulher cinco dias em cima de uma montanha a não se trepar”? Se fosse algum dos seus amiguinhos eles poderiam rir, se divertir, beber, conversar, apostar corrida, jogar videogame, brincar na piscina, fazer trilha. Mas com uma mulher? Um ser estranho chamado mulher? Que porra ele iria fazer, não é mesmo?
(...) Acho de verdade que a puta da Glenn Close estragou a vida de algumas mulheres. Basta você dizer um inocente “você é legal” pro cara achar que você vai se mudar pra casa dele, mergulhar o poodle dele numa panela fervendo e parir trigêmeos bem no dia do futebol com os amigos. Da onde eles tiram que somos tão assustadoras? A gente só quer ter com quem rir no final do dia e ganhar alguns beijos no lugar certo. Nada muito diferente do que eles querem. (...)
terça-feira, 15 de janeiro de 2008
Horas
- Que horas são?
- Seis.
- Porra, ficou claro já!
- Vambora?
- Como eu faço? Não conheço nada.
- Me segue.
E foi o que fiz. Segui. Gol geração III de cor cinza. Eu, dirigindo como todos os que estão num estado de meditação profunda – profunda embriaguez – dirigem. Pensando na vida, na cama, lembrando das piadas idiotas, pensando... Pensando... Pensando em pensar - e seguindo o carro da frente. Ele, o carro, ainda estava lá, seguindo.
Sinal vermelho, o cinza, passou. Passei. Sinal vermelho, o cinza, passou. Passei. O caminho ainda estranho. Segui. Senti que eu estava andando mais rápido do que podia, pra um bêbado – e segundo as leis do trânsito também – mas tinha que seguir, perdido e embriagado, melhor seguir.
Tudo começou ficar estranho, me senti num filme, daqueles de perseguição, mas era meu amigo, ele devia estar apressado sei lá, com fome, a gente sempre fica com fome. E vai lá ele fazendo um monte de curvas estranhas, dando volta nos mesmos quarteirões que já passamos, pensei “bom, ele deve ta querendo me mostrar alguma coisa”, só fiz a minha parte, e fiz bem. Até que ele parou. Ele? Não? Ele? Não?
Por instantes a sobriedade impera, porque pálido, o carro estaciona e de lá eu que esperava ver meu amigo comprar ou perguntar alguma coisa numa banca de jornal, vejo sair um garota, branca e levemente apavorada.
“Acho que agora já sei o caminho“, foi o que pensei e fui.
- Seis.
- Porra, ficou claro já!
- Vambora?
- Como eu faço? Não conheço nada.
- Me segue.
E foi o que fiz. Segui. Gol geração III de cor cinza. Eu, dirigindo como todos os que estão num estado de meditação profunda – profunda embriaguez – dirigem. Pensando na vida, na cama, lembrando das piadas idiotas, pensando... Pensando... Pensando em pensar - e seguindo o carro da frente. Ele, o carro, ainda estava lá, seguindo.
Sinal vermelho, o cinza, passou. Passei. Sinal vermelho, o cinza, passou. Passei. O caminho ainda estranho. Segui. Senti que eu estava andando mais rápido do que podia, pra um bêbado – e segundo as leis do trânsito também – mas tinha que seguir, perdido e embriagado, melhor seguir.
Tudo começou ficar estranho, me senti num filme, daqueles de perseguição, mas era meu amigo, ele devia estar apressado sei lá, com fome, a gente sempre fica com fome. E vai lá ele fazendo um monte de curvas estranhas, dando volta nos mesmos quarteirões que já passamos, pensei “bom, ele deve ta querendo me mostrar alguma coisa”, só fiz a minha parte, e fiz bem. Até que ele parou. Ele? Não? Ele? Não?
Por instantes a sobriedade impera, porque pálido, o carro estaciona e de lá eu que esperava ver meu amigo comprar ou perguntar alguma coisa numa banca de jornal, vejo sair um garota, branca e levemente apavorada.
“Acho que agora já sei o caminho“, foi o que pensei e fui.
IDADE
MODERNIDADE
MODERNO
IDADE
ATIVIDADE
ATIVO
IDADE
OBSCURIDADE
OBSCURO
IDADE
MATURIDADE
MATURO
IDADE
BARBARIDADE
BÁRBARO
IDADE
INATIVIDADE
INATIVO
IDADE
MODERNO
IDADE
ATIVIDADE
ATIVO
IDADE
OBSCURIDADE
OBSCURO
IDADE
MATURIDADE
MATURO
IDADE
BARBARIDADE
BÁRBARO
IDADE
INATIVIDADE
INATIVO
IDADE
DIGITAL
Digital GLOBAL
Globalizado DIGITALIZADO
In FoRMa sem AçÃo
.com VIA WeB na rede
.com coco na beach
y soul quente
MUITA GENTE
Sem mente SEM nada
Global wireless
Na Lan, com Wan, Na MAN
Com dis quete, sem claquete
Na print com motherboard
Veja o slot sem trote
Digital GLOBAL
Globalizado DIGITALIZADO
In FoRMa sem AçÃo
Globalizado DIGITALIZADO
In FoRMa sem AçÃo
.com VIA WeB na rede
.com coco na beach
y soul quente
MUITA GENTE
Sem mente SEM nada
Global wireless
Na Lan, com Wan, Na MAN
Com dis quete, sem claquete
Na print com motherboard
Veja o slot sem trote
Digital GLOBAL
Globalizado DIGITALIZADO
In FoRMa sem AçÃo
Castanho
Estive sempre enganado
Das ruivas às louras,
Descobri, castanho.
Das claras às escuras.
Até o gosto da castanha.
Das formiguinhas
Que perambulam
Pelo branco dos dentes
Que formam risos
Até Deus duvida – falo do horizonte
Poderia jurar que são sorrisos
Ingênuo e belo
Sim. A beleza tem dúvidas
Da criação
Será sua?
A perfeição
Prefiro as palavras
Assim, imperfeição.
Dos traços,
Das cores, dos jeitos...
Dos trejeitos,
Das imaginações,
Dos poemas,
Dos andares,
Dos futuros.
Pinto ou escrevo?
Eternamente Nuvens.
E Lua.
Sempre luas e cheias.
Das ruivas às louras,
Descobri, castanho.
Das claras às escuras.
Até o gosto da castanha.
Das formiguinhas
Que perambulam
Pelo branco dos dentes
Que formam risos
Até Deus duvida – falo do horizonte
Poderia jurar que são sorrisos
Ingênuo e belo
Sim. A beleza tem dúvidas
Da criação
Será sua?
A perfeição
Prefiro as palavras
Assim, imperfeição.
Dos traços,
Das cores, dos jeitos...
Dos trejeitos,
Das imaginações,
Dos poemas,
Dos andares,
Dos futuros.
Pinto ou escrevo?
Eternamente Nuvens.
E Lua.
Sempre luas e cheias.
domingo, 6 de janeiro de 2008
Céu daqueles olhos.
Podíamos ficar o dia inteiro lá, parados. Um sem falar com o outro, concentrados em nossas tarefas introspectivas. Eu disfarçava, as vezes um olhar desviado, corrigia. Inquieto, não continha o sorriso. Ela era linda. Simplesmente.
Tudo se passava em pleno silêncio, exceto o som das teclas do teclado quando pressionadas. Seguia o ritmo e eu pensava como seria bom andar de mãos dadas com ela – a mesma mão tradutora de pensamento – imaginava a pressão, o suor, a delicadeza. Na rua, num leve balançado. E minha mão, ali, junto a dela.
Uma cigana que no caminho pede a uma das mãos que se abra. Observa as linhas, faz caras e bocas e diz “Você guarda um segredo bom!”. Num ar misterioso emenda “Você está no caminho certo”.
Um caminho de céu azul, ao redor o verde predominante da mata. A estrada extensa. Caminhando a passos largos a estrada se repete. O que se vê apenas se repete. Os pássaros cantam, uma musica bonita e calma.
“A linha reta diz respeito ao seu passado” – percebo o tom de voz retorcido da cigana.
E quando abro os olhos vejo o verde, não o da mata, aquele do mar. O infinito do mar. Tentei falar, não restava nenhuma palavra, nada compreensível. Não foi possível dizer, talvez algum gesto, mas eles não expressaram nada.
Uma vez me disseram que o nada é como uma casa vazia. Ela pode ser grande e bonita, mas sem ninguém vivendo lá, ela não é nada. Nem casa.
A cigana continuava a falar, falava de coisas que eu não conhecia, coisas que ela dizia ser o meu futuro, o meu passado. Eu estranhava, nunca tinha pensado ou sequer imaginado algo parecido, nunca. Eu estranhava, mas gostava. Era gostoso pisar naquela areia fofa daquela praia paradisíaca. Correr livre, brincando com o cachorro. Jogando um galho, ele ia e voltava. Com o galho na boca. Eu sorria. A cigana continuava mostrando seus dons de clarividência. Deitado, vendo as estrelas, extasiado. A água de coco no fim da tarde, um abraço apertado.
Não me contive quando ela declarou em meio a um turbilhão de fatos confusos que ela descrevia “Sabe, esse computador ficou estranho de uns meses pra cá!” – gargalhei profundamente. Ainda estava pisando na areia da praia, debaixo das árvores, sentindo aquele abraço, aquele perfume. Eu continuava sentindo o movimento daquela mão delicada que se segurava a minha.
Tudo era silêncio novamente. A cigana se fora. O paraíso continuara.
Era difícil compreender se eu estava ou não sonhando, mas era algo único, contemplar tao de perto o mar de estrelas do profundo céu daqueles lindos olhos.
Voltei quando ouvi “Ei, aceita um chá?”.
Tudo se passava em pleno silêncio, exceto o som das teclas do teclado quando pressionadas. Seguia o ritmo e eu pensava como seria bom andar de mãos dadas com ela – a mesma mão tradutora de pensamento – imaginava a pressão, o suor, a delicadeza. Na rua, num leve balançado. E minha mão, ali, junto a dela.
Uma cigana que no caminho pede a uma das mãos que se abra. Observa as linhas, faz caras e bocas e diz “Você guarda um segredo bom!”. Num ar misterioso emenda “Você está no caminho certo”.
Um caminho de céu azul, ao redor o verde predominante da mata. A estrada extensa. Caminhando a passos largos a estrada se repete. O que se vê apenas se repete. Os pássaros cantam, uma musica bonita e calma.
“A linha reta diz respeito ao seu passado” – percebo o tom de voz retorcido da cigana.
E quando abro os olhos vejo o verde, não o da mata, aquele do mar. O infinito do mar. Tentei falar, não restava nenhuma palavra, nada compreensível. Não foi possível dizer, talvez algum gesto, mas eles não expressaram nada.
Uma vez me disseram que o nada é como uma casa vazia. Ela pode ser grande e bonita, mas sem ninguém vivendo lá, ela não é nada. Nem casa.
A cigana continuava a falar, falava de coisas que eu não conhecia, coisas que ela dizia ser o meu futuro, o meu passado. Eu estranhava, nunca tinha pensado ou sequer imaginado algo parecido, nunca. Eu estranhava, mas gostava. Era gostoso pisar naquela areia fofa daquela praia paradisíaca. Correr livre, brincando com o cachorro. Jogando um galho, ele ia e voltava. Com o galho na boca. Eu sorria. A cigana continuava mostrando seus dons de clarividência. Deitado, vendo as estrelas, extasiado. A água de coco no fim da tarde, um abraço apertado.
Não me contive quando ela declarou em meio a um turbilhão de fatos confusos que ela descrevia “Sabe, esse computador ficou estranho de uns meses pra cá!” – gargalhei profundamente. Ainda estava pisando na areia da praia, debaixo das árvores, sentindo aquele abraço, aquele perfume. Eu continuava sentindo o movimento daquela mão delicada que se segurava a minha.
Tudo era silêncio novamente. A cigana se fora. O paraíso continuara.
Era difícil compreender se eu estava ou não sonhando, mas era algo único, contemplar tao de perto o mar de estrelas do profundo céu daqueles lindos olhos.
Voltei quando ouvi “Ei, aceita um chá?”.
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