quinta-feira, 30 de novembro de 2006

Um pouco mais do cotidiano

Acordei cedo, aos chamados da minha irmã – a preguiça insistia – tomei-me de forças e levantei de uma só vez. Fiquei sentado na cama por alguns minutos, atordoado, sem pensamento algum – um, dois, três chamados – minha consciência retorna, no comando do meu corpo, levanto, procuro a toalha e vou direto ao banho. Uns dez minutos de água corrente e quente faz milagres que até Deus duvida, pouco mais, lá estava eu devidamente vestido, acordado – dono de mim ou quase – pronto pra mais um dia.

O dia estava chuvoso, eu atrasado (e sabia que com o mundo caindo lá fora eu ia me atrasar ainda mais), disse algumas palavras mau-humoradas que os ouvintes levaram como desapercebido (entende-se o momento), logo me calei. Apressados fizemos o ritual de abrir portas, fechar portas, verificar se realmente foram fechadas, entramos dentro do carro e partimos (eu sabia que teria que voltar, dia de rodízio – em São Paulo a prefeitura inventou esse tal rodízio de carros que é controlado pela placa do carro, pelo último dígito, para tentar diminuir o trânsito, quem sabe um dia eles conseguem), fui ao mais próximo caixa eletrônico do meu banco – estava sem dinheiro – e tive uma ligeira decepção, meu dinheiro não tinha caído, mas tive sorte, minha irmã tinha dinheiro (ela também foi ao caixa eletrônico), ela ficou e nós (eu e minha mãe) voltamos para casa (lembram do tal rodízio?), deixei o carro, esperei por outros minutos o ônibus, ponto cheio, pessoas impacientes.

Desconfortável e atrasado, como de costume logo adormeci e o ônibus prosseguiu de ponto em ponto; Num intervalo rápido entre o sono e a lucidez, tentei sacar um livro, vencido linhas depois voltei a dormir. O ônibus estava cheio, vidros fechados, abafados (não podia nem brincar de desenhar nos vidros, estava sentado no banco lado corredor), burburinho, retornei ao sono eterno – quase uma espécie de fuga.

Depois de uma eternidade e caos urbano, chego onde deveria chegar (no ponto específico onde tenho que descer), de lá mais alguns minutos de caminhada, metrô, fila do metrô, catraca do metrô, escada do metrô, as portas se abrem, eu entro, o trem segue, um... Dois... Três... Algumas pernas, feições hostis, as portas se abrem, eu saio, escada rolante do metro, catraca do metrô, escada rolante, Av. Paulista, mais alguns passos, estou eu onde finalmente deveria chegar.

Assim o dia começa, prossegue, e às vezes termina. Cotidiano, nem parece dia, nem parece nada, assim que às vezes eu penso, outras só prossigo. Nada mais que um relato, às vezes útil, muitas inútil. Eu prossigo e você também.

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