Vendo ou Alugo Ninguém comprou a minha alma Só porque eu quis vender a preço de banana Descascada Agora ofereço nos viadutos, nos prostíbulos Nos botecos Vendo ou Alugo (nos blogs também)
terça-feira, 27 de novembro de 2007
O alvo. O homem. As coisas.
Sou eu o homem.
Aquele que sabe das coisas.
Sei daquilo que se esconde.
E foge. E não acha.
Acho que não é dúvida.
Dúvida também acha.
Atirem,
Sou do espaço, do cideral.
Quem sabe uma alienígena.
Quem sabe um coisa.
As coisas também são coisas.
Atirem,
Eu sou uma coisa.
Coisa alguma,
Coisa homem.
Eu sou coisa.
Coisado.
Atirem,
Na coisa do homem.
sexta-feira, 23 de novembro de 2007
Numa dessas conversas...
sábado, 6 de outubro de 2007
Recorte
Era morena, cabelos longos e lábios finos. Olhos pretos. Olhava o espelho ao mesmo tempo que passava o batom pelos lábios enquanto o caminho prosseguia. Usava uma roupa discreta, parecia um uniforme – é como se tentassem esconder sua sensualidade, não conseguiram; Os movimentos eram suaves, num ambiente brusco. Ela o dominava. Dominando, ela termina. Levantou-se e desceu numa parada qualquer.
domingo, 23 de setembro de 2007
MAR II
E assim vagante está o pirata.
Onde no MAR mora o infinito.
E assim ele habita.
Filho da Odisséia, observa
As transições dos navios carregados
Na gana de riqueza,
Não sente o MAR indomável
Que o leva sem caminho.
No MAR se navega.
E assim navega o pirata.
quarta-feira, 19 de setembro de 2007
MAR
Está em sua forma geralmente acanhada
e na incoerência dos acontecimentos
Na exportação dos pensamentos,
Na importação dos desejos,
No livre-comércio dos produtos inconsciêntes,
Nas lembranças de uma terra densa e colorida,
Na estranheza de um terreno antes nunca devastado,
Na beleza de suas paisagens.
A esfera curiosa de um poema virtual
Está na certeza de uma viagem inesquecível.
Seja qual for a esfera.
No MAR se navega.
Dedicado Ào MAR.
domingo, 2 de setembro de 2007
Canto para os sonhos
Enquanto as estrelas não cantam
É o canto das estrelas
Que alimenta os sonhos.
São os sonhos
Os donos da verdade?
São os sonhos
Que alimentam a vida.
É a vida
Que alimenta os poemas.
Você prefere ser chamada
De vida ou de sonho?
Acho que estou ouvindo
O canto das estrelas.
quinta-feira, 5 de julho de 2007
terça-feira, 29 de maio de 2007
Churrasco.
Nessas reuniões os ingredientes caem bem, seja o pagode, seja a amiga da amiga do amigo, seja a cerveja quente, seja o que passa na TV. Não posso muito falar do que passa na TV, melhor, posso falar muito do que passa na TV nesses encontros, o que eu não posso é reclamar, sempre colocam um filme do meu agrado. Filmes bacanas para amantes de cinema, ou ensaítas desse amor.
Quando não se chega cedo, um pouco de inveja bate, não existe meio termo, ou é cedo ou é tarde. Cedo, você é o inaugurador, aquele que se prepara para receber os outros, aquele que tem os melhores sorrisos e a melhor coreografia do começo de noite. Tarde, você é o dono daquele sentimento de algo que se perdeu, e agora precisa recuperar o tempo. Engraçado, como todos fazem questão de te mostrar com aquelas expressões felizes o quanto tempo você perdeu. “Do próximo eu chego mais cedo” é sempre o pensamento seqüente.
Então a festa rola, todos rolam e a carnes assam. Uma beleza, até parece final de campeonato Brasileiro. Os críticos, a torcida à favor, a torcida que é contra, os que não entendem nada de futebol, enfim... todos comemorando algo.
Eu gostei da cachaça, talvez mais da garrafa. Bela garrafa. Bebi uns quatro copos. Virados. Virados. Os oficiais degustadores da bebida citada que não me ouçam e não me rotulem. Rótulos cabem bem às bebidas, não as pessoas.
Todos logo se vão, e os resíduos ficam. Inclusive eu. Ficam as memórias de um memorável churrasco, e ficam também os fatos de reflexão. Esses que só serão fatos de reflexão no outro dia. No dia da festa, tudo é apenas resíduo (mas nem tudo é reciclável, diga-se de passagem).
Cozido.
“Tempero é o segredo” – repetia sempre entre os amigos, e todos riam.
No último jantar, preparou um coelho, escolheu o vinho, a trilha e chamou os próximos. Todos comemoraram seus sessenta e três anos. Risonho e satisfeito, brindou – e todos brindaram com ele.
“Viva o coelho” disse levantando a taça.
“Homenagem merecida, o que seria de nós se os coelhos não existissem?” comentou uma amiga de infância.
“Que o tempo não tire seu humor, por mais mórbido que ele pareça”
Todos triscaram os cristais e num gole comemoraram o coelho e o anos de nosso amigo.
Alguém lembrou da infância. Naquele tempo que era chamado coelho - “Grande Coelho”, como dizia o Oswaldo –, um perna-de-pau de primeira nas peladas eternas que eram disputadas num capinho de terra lá na Vila Carioca.
O campo era pequeno, traves de madeira cortada das árvores (feita pelos próprios meninos, inclusive, ele, o coelho) e o mato bem aparado. Palco de grandes jogos entre o time da vila contra os arquirivais meninos da rua-de-baixo. Coelho fora um grande zagueiro – mesmo sem grandes atrativos futebolísticos – ele metia medo e assim era sempre escalado, parte da tática dos meninos da vila.
Ao levantarem as taças (de vinho), muitos lembraram o histórico momento em que o Grande Coelho driblou de modo desajeitado os dois zagueiros e chutou à gol – era a revanche dos meninos da vila. Fora aclamado por um bom tempo, ganhou o respeito de todos.
Tanto respeito, que descobriu a cozinha, logo depois a arte de ser pai de uma meninha e um marido querido. Naquele gole, também engolia um pouco das saudades que sentia da filha. Clara, uma linda jovem de vinte e dois anos, recém-formada em fisioterapia e longe do pai num curso de aperfeiçoamento na europa.
Sueli não era mais sua esposa, mas continuava sua fã. Ele sabia disso, e por ela tinha um imenso carinho, sempre ligava pra ela às quartas, perguntava sobre a vida, falavam sobre a filha, eram bons amigos.
O coelho sempre foi grande, como naquele último gole.
sexta-feira, 27 de abril de 2007
Outro Vento
E a prosa continuou,
Absorvia o tempo, consumia o sol
Quando tudo parecia imóvel
Eu nem pensei nas cores,
Nas cores que as coisas assumem
Nem vi o que me trouxe até aqui
Esqueci o que vim fazer aqui no alto
Quando choveu, lembrei que tinha esquecido o guarda-chuva
A chuva o sol seca.
O sol secou o sertão.
E eu nem me lembro quando isso aconteceu.
Vento
Dou sempre risada. Das coisas que faço errado, ou das certas, porque não? Sempre dizem que rir é o melhor remédio. Se não for remédio, é uma espécie de tranquilizante, calmante. Se for assim, rir é uma droga. Estou rindo agora.
Hoje parei e olhei o horizonte, um céu azul, longo, parado, poucas nuvens, achei por algum momento que fosse a extensão de Deus. Tão lindo, tão imenso. Deus deve ser assim, não? Acho que sim. O sol estava quente - como ele sempre deveria estar - falo isso, porque nem sempre o sol é quente. Nem sempre. Às vezes ele é gelado. Eu já senti o sol gelado, a gente fica encolhido, tremendo de frio, querendo dormir, eu sempre quero dormir no frio, mas sempre é difícil domir no frio - ele incomoda, bom assim como é difícil dormir num calor aterrorizante (as vezes ele parece fantasma). O problema é sempre a temperatura. Quente demais, frio demais.
Enquanto andava, e olhava o céu, pensava nas coisas que eu poderia fazer "voar seria uma boa", ou "comer lasanha" - eu comi lasanha, mas não voei. Então concluí que o dia foi bom, realizei metade das minhas vontades, pensando que tem dias que não realizamos nenhuma. Então foi bom, no final foi bom. Amanhã eu tento voar, já que hoje eu comi lasanha.
Pensei milhões de possibilidades, e quis apenas dormir mais um pouco. Andei pela praia, olhei as pessoas. E tudo girou, as horas passaram. O dia sempre tem que acabar em algum momento, afinal, sei que ele acaba na vigésima quarta hora. Assim diz o ocidente.
quinta-feira, 12 de abril de 2007
A primavera a gente inventa
Mas será daqui-a-pouco, quando a primavera chegar.
E se não chegar a gente inventa.
Sempre inventamos, sempre.
quarta-feira, 4 de abril de 2007
Inferno 666
E quem diz não?
Só os tolos dizem não ao inferno.
Onde tudo queima, tudo acontece.
No céu a vida é outra, branda e chata.
Um querer do mais nobre vinho,
Do mais selecionado trigo,
Da boca mais amarga e quente,
Eu quero o inferno e todas as suas bondades.
Me entrego ao ardente, não espero memórias,
Quero o delírio,
Não me importa o dia seguinte,
Me importa o frenesi do instante infernal.
Assim são minhas chamas quando acesas.
sábado, 31 de março de 2007
Traços do Oriente
Rodopiava dentre os longos cabelos,
Brilhava os fundos olhos e finos traços,
Uma beleza milenar.
Mulher rainha,
Selvagem morena - a musa ibérica,
Um charme sem véu,
Sensível luar.
Bradava, mil e uma noites,
O cheiro das rosas,
O doce das laranjeiras e o sabor do mel.
Astros em curso,
Revelam o improvável,
O afável sorriso que encanta.
terça-feira, 2 de janeiro de 2007
Lagoa
De tênis, shorts e relógio de pulso o dia acabava de nascer. O ponto de vista é sempre nosso, o mundo sempre começa quando a nossa consciência desperta. Uns pingos cá outros lá, e a lagoa, a imensa lagoa abraçava as gotas d’água, como boa mãe às recebia com prazer.
Era uma lagoa imensa, tão acostumada com o temperamento do tempo e a companhia das pedras. Nas suas encostas uma areia rala imprimia uma cor pele, que metro depois dava lugar a uma grama bem aparada e confortável – agora era o verde o dominante.
“As coisas do lado de lá sempre parecem mais bonitas” pensava eu enquanto corria. Contava no cronômetro dez minutos de caminhada. As gotas uma a uma foram cessando, não demorou muito o sol surgiu. Outros minutos depois estava eu esgotado de uma não costumeira corrida.
A dor era pouca, mas presente. Correr tem disso. Agora entendo bem os corredores da São Silvestre – acho que na verdade não entendo – eles são fortes, ágeis e resistentes. E aja resistência, corri vinte minutos – não mais que uns quatro, cinco quilômetros. Eles correm vinte, talvez por isso é tão gloriosa uma vitória na São Silvestre, uma das mais memoradas maratonas do mundo.
Foi um dia feliz de sol e preguiça. Almocei cedo e li muitas páginas de um bom livro: “Fragmentos do Éden” de Francisco Viana. Foi possível descobrir o paraíso. “O paraíso é sempre o paraíso perdido”.
Deitado na grama, o verde dominante, num fim de tarde observando as pessoas que caminhavam, outras que corriam. Eram bonitas suas peles brancas e avermelhadas pelo sol.
Fiquei recostado a uma arvore, adormeci e sonhei. Eu estava do lado de lá, e no sonho eu disse: “Aqui desse lado as coisas são realmente mais bonitas”.