terça-feira, 22 de novembro de 2005

A vida como ela é. Através de uma caixa.

Num quarto escuro, salvo apenas por uma luz ao fundo, gerada por uma caixa falante, a televisão. Na sua frente alguém, compenetrado, encolhido, trêmulo.

A caixa exibe imagens de homens com rostos pintados, verde musgo, todos armados, feições não muito amigáveis, um só objetivo: derrotar o inimigo; um só pensamento: quando tudo terminar, voltar para casa; é a guerra, um por todos e todos por um.

Aviões e helicópteros, bailarinos do céu, bombardeando alvos, matando inocentes, fazendo manobras arriscadas, piruetas, um verdadeiro espetáculo vermelho, onde os aplausos são tiros de metralhadoras, fuzis e canhões.

A música tem um som metálico com poucas variações de compasso, impressionante. A atuação vocal fica por conta de um coral com gritos de ordem e socorro.

A natureza também colabora com o espetáculo, apresentando um cenário de tempestades tenebrosas, ventos velozes, ondas imensas, que destroem tudo o que encontram pela frente.

Um espetáculo que tem como protagonista à miséria; como coadjuvantes a fome e a violência; e como vilões, injustiça, egoísmo e ódio.

Espetáculo digno de um Oscar, prêmio concedido aos melhores filmes, analisados a partir de quesitos como: criatividade, linguagem, atores, roteiro, direção e sucesso de público. LUCRO.

O filme da vida real é o filme mais vendido do mundo, onde todos nós somos figurantes, vermelhos.

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