terça-feira, 1 de novembro de 2005

Foi quando acabou que eu entendi.

E não é que tem jeito. Tem. Olha só a cena. Semáforo fechado, aquele da galeria 2001 na Paulista, uns 50 anos, feminino, acompanhado desse cara aqui, meio melancôlico por esses dias, ela estendo os braços e grita - EU AMO A VIDA. É, ela ama mesmo. E esse grito foi pra mim. Eu não contive o sorriso.

Acho que eu tava na Pamplona [rua] querendo chegar ao ponto de ônibus nas Clínicas, embolando devaneios com passos. Ela - preciso de companhia. Pensei - Logo a minha, pq alguém assim desconhecido precisaria da minha companhia, será que ela leu meus pensamentos. Não. Não era possível. Mas era exatamente nisso que eu estava pensando. Em companhia. Claro - foi o que eu disse.

Sorriu e continuamos a caminhar. Falamos coisas aleatórias. Mas falamos de amar. De viver feliz. Foi logo que eu percebi. Ela - O teatro acabou. É um teatro barato. Chega de sentimentalismos. Ela está na platéia, mas não é pra ver o teatro. Paralisei.

Ela sorriu. Eu procurava resposta pras perguntas. Me surge ela. Fechei as cortinas. Apaguei as luzes de ribalta. A trilha continuou por parte das ruas de São Paulo. Al. Santos.

Sei que aquele grito foi pra mim. Nos despedimos com olhares sinceros. Eu agredecido. Fui incapaz de gritar em alto tom que amo a vida em plena Av. Paulista. Mas nem era preciso. Alguém já o fez por mim. Eu só pude pagá-la em sorriso.

Agora entendi porque nesse momento ela [a moça da platéia] está me aplaudindo.

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