quinta-feira, 10 de junho de 2010

Vida em comum

Ela estava de frente ao espelho, não sabia muito por onde começava, afinal sua cabeça estava cheia de coisas e isso não a permitia muito pensar sobre qual calça ou camisa usar, muito menos escolher um dos tantos brincos que tinha.

Enquantos seus pensamentos a pertubava ela vestia uma blusa branca e uma calça jeans, já não importava muito se estava ou não bem vestida, precisava se vestir, estava atrasada. Parada ali, olhando para o espelho já fazia cerca de uma hora, a melhor decisão realmente foi pegar qualquer coisa e vestir.

Checou as luzes dos cômodos, o gás, o ferro fora da tomada, o microondas desligado, as janelas dos quartos e da sala, desligou a tevê da sala, olhou para o relógio, trancou a porta e saiu.

Voltou. Esquecera a chave do carro. Pegou. Trancou e saiu. O elevador pareceu demorar uma eternidade, mas somente demorou um minuto para chegar. Os faróis da cidade também não colaboraram, como num complô em todo farol a luz vermelha persistia.

O caminho parecia estranho, como se as ruas tivessem resolvido mudar de nomes. Tudo parecia perdido, não tudo, mas ela sim estava. Resolveu ligar, reclamou de tudo e no fim, vencida, confessou sua derrota, estava perdida.

Achou-se num cruzamento e voltou ao caminho. Quando chegou ao seu destino, lá estava ele, sentando, bebericando algo e falando ao telefone. Ele não a vê. Ela se aproxima e ele sorri. Enquanto ele fala ao telefone, o garçom se aproxima, ela pede champagne. A champagne chega e ele desliga o telefone.

Conversam por um tempo, ela chora. Ele levanta-se repentinamente da mesa e sai. Ela chora enquanto assina uma folha de papel. A folha de papel que os separaram de uma vida em comum.

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