sexta-feira, 27 de abril de 2007

Outro Vento

Ao calar, tormei-me vento
E a prosa continuou,
Absorvia o tempo, consumia o sol
Quando tudo parecia imóvel
Eu nem pensei nas cores,
Nas cores que as coisas assumem
Nem vi o que me trouxe até aqui
Esqueci o que vim fazer aqui no alto
Quando choveu, lembrei que tinha esquecido o guarda-chuva
A chuva o sol seca.
O sol secou o sertão.
E eu nem me lembro quando isso aconteceu.

Vento

Uma vez ou outra eu me irrito com as coisas, com o meu jeito de ser, de fazer as coisas. Mesmo assim continuo fazendo as mesmas coisas, quase sem querer, elas saem da mesma forma, mesmo quando eu tento mudar, elas insistem em sair assim. Deve ser essência, já me disseram uma vez, sobre a essência das coisas. Pouco acredito nisso. Mas as coisas acontecem. Que coisas são essas? Um mistério. Um mistério eterno.

Dou sempre risada. Das coisas que faço errado, ou das certas, porque não? Sempre dizem que rir é o melhor remédio. Se não for remédio, é uma espécie de tranquilizante, calmante. Se for assim, rir é uma droga. Estou rindo agora.

Hoje parei e olhei o horizonte, um céu azul, longo, parado, poucas nuvens, achei por algum momento que fosse a extensão de Deus. Tão lindo, tão imenso. Deus deve ser assim, não? Acho que sim. O sol estava quente - como ele sempre deveria estar - falo isso, porque nem sempre o sol é quente. Nem sempre. Às vezes ele é gelado. Eu já senti o sol gelado, a gente fica encolhido, tremendo de frio, querendo dormir, eu sempre quero dormir no frio, mas sempre é difícil domir no frio - ele incomoda, bom assim como é difícil dormir num calor aterrorizante (as vezes ele parece fantasma). O problema é sempre a temperatura. Quente demais, frio demais.

Enquanto andava, e olhava o céu, pensava nas coisas que eu poderia fazer "voar seria uma boa", ou "comer lasanha" - eu comi lasanha, mas não voei. Então concluí que o dia foi bom, realizei metade das minhas vontades, pensando que tem dias que não realizamos nenhuma. Então foi bom, no final foi bom. Amanhã eu tento voar, já que hoje eu comi lasanha.

Pensei milhões de possibilidades, e quis apenas dormir mais um pouco. Andei pela praia, olhei as pessoas. E tudo girou, as horas passaram. O dia sempre tem que acabar em algum momento, afinal, sei que ele acaba na vigésima quarta hora. Assim diz o ocidente.

quinta-feira, 12 de abril de 2007

A primavera a gente inventa

Tudo não é flor agora.
Mas será daqui-a-pouco, quando a primavera chegar.
E se não chegar a gente inventa.
Sempre inventamos, sempre.

quarta-feira, 4 de abril de 2007

Inferno 666

Eis que apareceu, e eu não sei dizer não
E quem diz não?
Só os tolos dizem não ao inferno.
Onde tudo queima, tudo acontece.
No céu a vida é outra, branda e chata.
Um querer do mais nobre vinho,
Do mais selecionado trigo,
Da boca mais amarga e quente,
Eu quero o inferno e todas as suas bondades.

Me entrego ao ardente, não espero memórias,
Quero o delírio,
Não me importa o dia seguinte,
Me importa o frenesi do instante infernal.

Assim são minhas chamas quando acesas.