Nessas reuniões os ingredientes caem bem, seja o pagode, seja a amiga da amiga do amigo, seja a cerveja quente, seja o que passa na TV. Não posso muito falar do que passa na TV, melhor, posso falar muito do que passa na TV nesses encontros, o que eu não posso é reclamar, sempre colocam um filme do meu agrado. Filmes bacanas para amantes de cinema, ou ensaítas desse amor.
Quando não se chega cedo, um pouco de inveja bate, não existe meio termo, ou é cedo ou é tarde. Cedo, você é o inaugurador, aquele que se prepara para receber os outros, aquele que tem os melhores sorrisos e a melhor coreografia do começo de noite. Tarde, você é o dono daquele sentimento de algo que se perdeu, e agora precisa recuperar o tempo. Engraçado, como todos fazem questão de te mostrar com aquelas expressões felizes o quanto tempo você perdeu. “Do próximo eu chego mais cedo” é sempre o pensamento seqüente.
Então a festa rola, todos rolam e a carnes assam. Uma beleza, até parece final de campeonato Brasileiro. Os críticos, a torcida à favor, a torcida que é contra, os que não entendem nada de futebol, enfim... todos comemorando algo.
Eu gostei da cachaça, talvez mais da garrafa. Bela garrafa. Bebi uns quatro copos. Virados. Virados. Os oficiais degustadores da bebida citada que não me ouçam e não me rotulem. Rótulos cabem bem às bebidas, não as pessoas.
Todos logo se vão, e os resíduos ficam. Inclusive eu. Ficam as memórias de um memorável churrasco, e ficam também os fatos de reflexão. Esses que só serão fatos de reflexão no outro dia. No dia da festa, tudo é apenas resíduo (mas nem tudo é reciclável, diga-se de passagem).